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sábado, 24 de março de 2012

Empreendedorismo Bacoco - Parte I

Decidi iniciar hoje, aqui no nosso grandioso blog, uma nova iniciativa. Assim, este será o primeiro post da saga “Empreendedorismo bacoco”.

Numa altura em que o empreendedorismo parece que é o tema da moda em Portugal e que somos um país cheio de empreendedores, não faltam discussões acerca de novas ideias, novos negócios, novas iniciativas. Todavia, muitas dessas ideias, negócios ou iniciativas esbarram na capacidade de investimento dos portugueses, já que parece que todos temos excelentes ideias, mas estamos no país errado para as aplicar. Ok, isto é o que, sendo-se politicamente correcto, se poderia dizer. Mas eu acho que o “problema” vai mais além que isso.

Parece que estamos num país completamente obcecado pelo empreendedorismo, em que se uma pessoa não tem vontade de ser empreendedor (sim, não é preciso fazê-lo, mas tem que dizer que tem vontade), é logo malvista. Eu não acho que esta obsessão seja negativa, antes pelo contrário, apenas acho que se está a sobrevalorizar algo que deveria partir de cada um. Não somos empreendedores só porque concordamos com o que os senhores que vão ao prós e contras dizem, com o que o Miguel Gonçalves (acho que todos conhecem, se não, Google) diz, ou com o que outros que, nestes últimos tempos têm tido mais notoriedade, dizem. Faz bem pensar nisso, mas não precisamos ser obcecados…

Tendo em conta esta pequena introdução, a ideia subjacente à saga “Empreendedorismo bacoco” é apresentar novas ideias que, apesar de parecerem estúpidas à primeira vista, podem, perfeitamente, ter sucesso.

Parte I – Feeling Bottle

Bem… o que vos trago hoje é uma ideia simples e facilmente aplicável no nosso país e que poderá transformar-vos no Boss que sempre desejaram.

Recentemente descobri que existe um livro em branco que se tornou best-seller (não sei se em Portugal, ou se em todo o Mundo), já que, apesar não ter nada para ler, apela ao espirito consumista, seja pelo facto de os consumidores verem nele algum significado, por acharem que é uma ideia tão genial que merece ser suportada, ou por pensarem que o livro é escrito com alguma tinta especial e, desta forma, compram vários exemplares para testarem esse facto.
O livro em branco não está directamente relacionado com a ideia de negócio que vos vou propor, mas se um livro branco é suficiente para se tornar num excelente negócio, porque é que qualquer ideia não o pode ser?

A ideia que vos proponho é muito simples e assenta na ideia de vender garrafas com sentimentos, em que nós, enquanto empresa e, numa primeira fase, principais produtores, utilizaríamos garrafas vazias e procederíamos ao seu enchimento com sentimentos.

Vocês perguntam: Como é que se enche uma garrafa com sentimentos? Bem, o simples facto de a garrafa ser fechada com um sentimento de alegria faz com que a mesma passe, automaticamente, a ser uma garrafa com alegria.

Este é o negócio ideal por várias razões:
- Quando estamos suficientemente alegres, não nos custaria fechar garrafas, pelo que não seria uma tarefa tão desinteressante como aparenta;
- As pessoas que estão num momento menos bom, poderão abrir uma garrafa de alegria e, desta forma, melhorar a situação em que se encontram.

Claro que no caso de sentimentos menos positivos, como a raiva, seriam mais difíceis de incluir nas garrafas, porque não estou a ver ninguém a ter calma e paciência suficiente para estar a engarrafar garrafas de raiva. Isso elevaria o preço, e dada a reduzida procura que se prevê (ou não), esta gama de garrafas seria realizada sob a forma de encomendas.

Resumindo, algumas vantagens que poderiam ser apresentadas aos consumidores por terem várias garrafas com sentimentos em casa:
- Ajustar o estado de espírito às situações que nos encontramos;
- O sentimento incluído na garrafa não tem prazo de validade, pelo que pode ser utilizado até se esgotar;
- Produto para coleccionador (Ex. “Tenho aqui alegria de 1993 e alegria de 2010, são mesmo diferentes”, ou “pah… ainda tenho uma amostra de alegria em casa”).

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Tapete Vermelho

Hoje é o dia em que a estatueta com nome de cão é entregue! Sim, esta noite no teatro Kodak em LA serão entregues os galardões aos filmes e protagonistas, que se destacaram durante o ano 2011. Como neste nosso cantinho blogosférico, falámos muitas vezes de cinema, não podíamos deixar passar a data em claro. 

Podia-vos falar dos filmes que vão a concurso este ano ou dos vencedores dos anos anteriores, mas como isso é sempre tão badalado na imprensa, achei que só para contrariar ( e eu sou perito nisso), vou falar daqueles que nunca ganharam nada apesar de merecerem. 

Porque é que alguns actores e realizadores, mesmo sendo dos melhores de sempre nunca ganharam nada? Na minha opinião existem três factores que erradamente, tornam a atribuição dos Óscares menos justa: 



  1. O timing de lançamento do filme parece ser essencial. Esta questão tem a ver com a natureza humana, e com uma questão de memória. Tendencialmente damos mais valor a memórias mais recentes, e por causa disso um filme lançado ainda longe da data da entrega dos prémios terá poucas hipóteses de ganhar, pois até lá outros filmes ganharam espaço na memória dos que nomeiam e dos que votam, para a atribuição dos prémios. Por isso é que muitos filmes candidatos saem nesta altura do ano.
  2. Os filmes independentes, por não terem ligações com grandes estúdios têm dificuldades em entrar na corrida contra filmes que têm grandes máquinas de distribuição por trás dos mesmos. Mesmo que sejam muito bons, a mensagem tem mais dificuldade a chegar a quem escolhe.
  3. A comédia é um tipo de cinema que parece um parente pobre da sétima arte. É difícil ver nomeações para filmes deste género mesmo que sejam geniais. Um actor de comédia, tem mais facilidade em ganhar prémios Razzies, os prémios para os piores filmes do ano, do que um Óscar. Não percebo o porquê desta discriminação. Será que uma lágrima vale mais que um sorriso?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

A política portuguesa parece uma casa assombrada

Lúcifer não podia deixar passar em claro, as declarações do Presidente da República, esse mendigo que vive em São Bento, sem tecer qualquer comentário.

As afirmações de Cavaco Silva são infelizes e completamente inaceitáveis. Agora percebo porque é que Cavaco Silva não costuma muito abrir a boca, porque ou sai a asneira ou entra bolo rei... Acho que já chega de bater no senhor, muita gente o fez nos últimos dias, aliás é disto mais em concreto que vos quero falar. 

A política portuguesa parece uma casa assombrada, de onde emanam fantasmas de todos os cantos ( ou de todas as cores políticas), que de vez em quando aparecem para meter uns sustos, ou melhor para comentar políticos que estão em actividade. Como referi todos os partidos têm os seus, mas claro que os mais mediáticos e os que têm mais tempo de antena são os dos partidos que vão partilhando o poder, PS e PSD. Quando um político comete uma gaffe, aparecem os fantasmas a fazer muitos buuuhs para assustar o pessoal. Convém esclarecer que um fantasma no âmbito da política é aquele político que morreu politicamente, mas que quer voltar à vida, por isso aparece episodicamente para  dizer mal dos seus congéneres que estão no poder e em actividade. O problema dos fantasmas políticos, é que tem duas características que os identificam muito facilmente. Normalmente são canibais, pois dizem mal de pessoas do próprio partido e são necrófagos pois aparecem para comer ( ou na gíria política dar na cabeça e dizer mal com todas as forças) políticos que já foram atacados por uma gaffe que cometeram. 

Mesmo assim penso que o partido que ganha em fantasmas é o PSD. O número um, por conseguir ser um espectro, mesmo em actividade, é Manuela Ferreira Leite. Outro fantasma embora com menos anos de assombramento é Morais Sarmento, aliás isto dos fantasmas veio-me à cabeça por causa das declarações que hoje fez sobre Cavaco Silva:
 http://www.jornaldenegocios.pt/home.php?template=SHOWNEWS_V2&id=533471

Não é que Morais Sarmento, não tenha razão no que diz sobre Cavaco, concordo inteiramente com as suas palavras. No entanto, este senhor tem muito pouca moral para falar. Pois há uns anos viu-se justa ou injustamente envolvido num escândalo, numa viagem que fez a São Tomé e Príncipe, que custou quase 100.000 € ao estado português, pois teve de haver frete de avião. E o que foi lá fazer? Entregar umas cassetes e assinar um papel. Na prática, alegadamente terá passado uns dias a fazer mergulho. Agora que penso bem nem o condeno, se calhar Sarmento já sabia que vinha aí o Sócrates e que o país iria ao fundo. 

O que os fantasmas querem sei eu bem, não é assombrar é voltar à vida... E às vezes conseguem mesmo ressuscitar, muitas vezes encarnados em Presidentes da República...

Deixo-vos por isso um vídeo do Avô com mais longevidade que conheço, Carlos Vidal, "O Avô Cantigas", com o seu êxito " Fantasminha Brincalhão, porque acho que não devemos levar os fantasmas muito a sério. 



segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Mr. Smith Goes to Washington

Há muito tempo, que este blogue não falava de cinema, por isso resolvi escrever sobre um filme que vi no passado fim-de-semana.

O título da película é "Mr. Smith Goes to Washington" ou na versão portuguesa "Peço a Palavra". Um filme de 1939, realizado por Frank Capra e vencedor de um Óscar para melhor argumento. 

Numa breve sinopse: Smith é um jovem talentoso que envereda pelo mundo da política, com o objectivo de ajudar o povo que o elegeu. No entanto, mal tenta criar a primeira lei, que seria em benefício dos cidadãos, vários problemas surgem, pois a lei proposta por Smith põe em causa variadíssimos interesses económicos. Por causa desta situação, Smith começa a ter problemas com um grupo financeiro poderoso, que tem um poderoso lobby sobre o senado americano e que controla os média. Será que a perseverança deste jovem rapaz conseguirá vencer a corrupção, que no senado está instalada? Têm de ver o filme para saber, pois Lúcifer não é um spoiler. Alem do guião que é soberbo, realço a performance de James Stuart e a beleza e sensualidade de Jean Arthur, cujo o papel é o de Miss Saunders, par romântico de Smith. Apesar de ser um filme com quase cem anos vale a pena ver, pois a temática é extremamente actual. O CineClube Lucyfilmes recomenda vivamente.

Resolvi falar-vos deste filme não só por ser excelente, mas também porque quem o vê não consegue deixar de encontrar paralelismos com a política dos dias de hoje. O poder dos grupos económicos sobrepõe-se quase sempre aos interesses dos cidadãos, isto acontecia nos anos 30 e acontece agora. As máquinas partidárias, não são mais que veículos destes grupos, em que os políticos são meros peões que prestam vassalagem a alguém superior e com um poder maior. E mesmo os média, apesar de alguns avanços, continuam a ser manipulados, tornando a política num teatro, em que a imprensa maquilha políticos sem qualidade e com poucos escrúpulos fazendo-os parecer salvadores da pátria, quando a sua missão é salvar o seu tacho. 


Por fim, deixo-vos o trailer de "Mr. Smith Goes to Washington":

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O 2.70!

Lúcifer também é um excelente apreciador de um bom naco (sim, qualquer tipo de naco!) e por isso, hoje vou falar-vos de um excelente spot para almoços, sejam de trabalho, de amigos ou mesmo almoços românticos, falo-vos do excelente restaurante “Brasília Self”, também conhecido como “O 2,70”.

Antes de mais, torna-se importante inteirar os nossos leitores que o 2.70 não é um simples restaurante, é muito mais que isso, é um espaço único de confraternização, um verdadeiro local de culto em que nos é disponibilizado um elevado conjunto de experiências a todos os níveis.

Explicando um habitual almoço n’ O 2.70:

Nada n’O Brasília Self é ao acaso, pelo que o mesmo encontra-se localizado num lugar estratégico da cidade do Porto, no Centro Comercial Brasília. Existem duas entradas principais para o restaurante:

Entrada da Frente: Ao optarmos pela entrada principal do Centro Comercial, verificamos que o Brasília Self não é dos primeiros estabelecimentos que encontramos, pelo que temos que efectuar um belo passeio pelas excelentes instalações do Brasília, onde encontramos um conjunto alargado de lojas à nossa disponibilidade em que podemos adquirir praticamente todos os artigos de que necessitamos no dia-a-dia.

Entrada pelas traseiras: Para os mais conhecedores e experientes existe outra entrada, que apresenta um acesso mais facilitado à meca da Boavista. Mas não se enganem! Apesar de o passeio ser curto, somos agradavelmente surpreendidos por um belo cheiro a incenso e outros tipos de odores provenientes dos lugares mais misteriosos do mundo, que nos ajudam espiritualmente e nos abrem o apetite para o belo almoço que nos espera.

Mal chegamos ao nosso destino, somos confrontados por uma agradável fila de espera, que se revela perfeita para manter a conversa em dia, dando-nos tempo para apreciar o extenso cardápio antes de efectuar a dificílima escolha do prato. Após pequena espera olhamos para o menu do dia onde são apresentados cerca de 7 pratos, todos especialidade da casa!

Qual não é o nosso espanto quando reparamos que o prato que especificamente queriamos não se encontra disponível e que foi substituído por outras alternativas, também de excelente qualidade. O facto de todos os pratos serem muito bons e o facto de os gerentes do estabelecimento terem feito a alteração do Menu, troca-nos as voltas e, enquanto isto acontece, somos impelidos a tomar uma decisão em segundos, já que a Sra. que serve os clientes pergunta imediatamente “Então Príncipe, o que vai ser hoje?”. Esta atitude por parte d´O 2.70 serve apenas de selecção natural aos clientes, visto que se trata de um local destinado aos que apresentam uma capacidade de decisão e resistência à pressão acima da média.

Após a escolha do prato, encaminhamo-nos para a caixa ao mesmo tempo que podemos optar por alguns extras, tais como o pão, a bebida ou a sobremesa, extras que na minha opinião retiram toda a mística do estabelecimento.

Chegados à caixa, encontramos um rapaz, em trajes típicos da mocidade portuense (uma pequena referência à cultura nortenha) ao qual perguntamos o preço (apenas para ouvir o agradável som das palavras “dois e setenta”. O rapaz agradece muito sorridente a nossa preferência, um verdadeiro Gentleman! Reparamos que ao lado dele se encontram rapazes bem desenvolvidos fisicamente, uma demonstração das qualidades nutritivas da alimentação do 2.70!

Quando procuramos um lugar disponível para 6 pessoas, verificamos que não existem mais que 2 lugares juntos, o que me leva a almoçar juntamente com um casal brasileiro e uma rapariga tchetchena. Mais uma vez, a diversidade de culturas que o 2,70 coloca à nossa disposição dos clientes e o fomento à confraternização é um verdadeiro hino à partilha de experiencias e culturas.

Enquanto usufruo da minha excelente refeição (um belo naco de carne), reparo que para além da excelente replica que tenho no prato, à minha volta existem outros espécimes de igual categoria, o que me leva ter uma refeição ainda mais agradável.

Por fim, o senhor vem recolher os tabuleiros com uma simpatia única e que nos faz sentir especiais.

Ao abandonar o local, saímos apenas com um desejo (para além de esperar que a comida não nos mate aos poucos): que as próximas 23 horas passem rapidamente para voltar ao 2.70!

Comida: 8 em 5
Serviço: 8 em 5
Preço: 10 em 5
Ambiente: 7 em 5
Problemas de foro intestinal: 4 em 5
Risco de levar nas trombas: 5 em 5

domingo, 30 de outubro de 2011

Que horas são?

Como já todos devem saber, hoje mudou a hora. Sim, hoje dormimos todos mais uma hora, mas em contrapartida, às 18 horas já estava de noite.

Existem várias questões relevantes acerca deste tema, como a razão para esta mudança, se esta mudança é vantajosa ou se esta alteração é irrelevante para a maioria das pessoas.

Em primeiro lugar parecem existir várias justificações para estas alterações bianuais nos relógios nacionais, umas relacionadas com razões energéticas, ou outras, que na minha opinião são mais estranhas, em que se justifica este acontecimento com a necessidade de alinhar o ciclo da terra com o nosso ciclo interno (um relógio biológico), seja lá o que isso for (isto já parece o post dos signos)! Fora de qualquer justificação, a verdade é que desde pequenos que estamos habituados a dormir mais uma hora no final de Outubro e ficamos danados quando em Março nos roubam uma preciosa hora de sono.

O “problema” não é tão grave (para a maioria das pessoas) quando falamos da alteração em Outubro, porque acabamos por dormir mais uma hora e não nos atrasamos para qualquer compromisso. Mas e aquelas pessoas que trabalham à noite? Já imaginaram que estavam num turno nocturno da meia-noite às 6 da manhã? Chegava às duas horas e é como se a última hora de árduo trabalho não tivesse existido.

Quando estamos em Março e nos roubam a tal hora de sono, temos que levar ainda com outros factores, como sempre que temos um compromisso marcado com outras pessoas, há sempre alguém que se atrasa por não se lembrar de acertar o relógio, ou ainda termos que andar no dia anterior à mudança de hora a ouvir os nossos pais a lembrar “não te esqueças que muda a hora!”.

Agora que sou um “trabalhador”, dou graças a Deus (ou Lúcifer?) por não se terem lembrado de atrasar a mudança de horário para segunda-feira às 10 da manhã, que apesar de repor alguma justiça aos “desgraçados” que trabalham de madrugada, só me ia lixar a mim!

sábado, 1 de outubro de 2011

Um político foi preso!!!??? Ah afinal não...

Mais um belo episódio da justiça portuguesa foi escrito nestes dias. Isaltino Morais foi preso apesar de o seu caso ainda não ter transitado em julgado, o que segundo os especialistas não podia ter sido feito. Eu realmente quando ouvi a notícia estranhei, até pensei para comigo: " Eh lá um político possivelmente corrupto foi preso, devo ter lido mal." Afinal foi mesmo preso, mas no dia a seguir soltaram-no.

A Justiça portuguesa até pode ter melhorado nos últimos tempos, mas casos como este assombram e denigrem a imagem desta importante área da sociedade portuguesa. Em Portugal a justiça portuguesa não funciona, ponto! É lenta! É burocrática! Quem tem dinheiro safa-se sempre! Noutros países quem tem poder, dificilmente é apanhado, contudo de vez em quando, um é pescado e prendido até ao fim. Neste país os advogados bons aproveitam-se das claras falhas do sistema. O objectivo da maior parte dos advogados de defesa não é ganhar o caso do seu cliente, é sim deixar que ele entre no sistema e que por lá adormeça no meio de mil e um recursos.

Em Portugal a Justiça é muito user`s friendly ( o utilizador neste caso será o réu ). É mesmo fácil de usar pelos canalhas e criminosos! Pelo menos agrada a alguém...

Às vezes penso que uma estrutura de justiça mais primitiva ( embora sujeita a mais erros e falhas, por vezes graves) seria mais eficaz. Ainda hoje estava a ver um filme, com Clint Eastwood, " For a few dollares more", filme que recomendo vivamente, e cheguei à conclusão que o sistema de justiça do faroeste era bastante eficaz e livre de burocracias. Bastava arranjar um cartaz com o criminoso e uma recompensa, com a palavra Wanted estampada. E muitas vezes os criminosos eram apanhados, pelo menos no filme... Num mundo virtual, imaginem que alguns políticos possivelmente corruptos de Portugal estão no velho faroeste:






Policebook


Já não postava há mais de um mês e acredito que os milhares de seguidores do blog estão todos ansiosos por mais um dos meus posts incríveis e fartinhos de ler os textos secantes do Pedro, mas vou seguir a linha dele e fazer um artigo menos interessante para variar (vá Pedro, tou a gozar, não vás tu deixar de postar e isto morrer).
Este post vai ser sobre o facebook e mais especificamente sobre o novo perfil que brevemente vai ser adoptado pela rede social.
Uma das alterações mais aguardadas é a introdução do timeline. Mark Zuckerberg justificou a introdução desta nova ferramenta pelo facto de apenas ser visível para os nossos amigos os últimos posts do nosso mural e, para aceder aos posts mais antigos, é necessário correr uma série de páginas. Com o timeline, vai ser possível aceder aos posts mais antigos, bem como actualizações de estado, ou qualquer outra informação pública no facebook de uma forma mais rápida e simples. Toda a informação vai estar organizada por anos, e acessível a qualquer um que queira vê-la. É como que criar a história da nossa vida social num álbum todo organizadinho.
De facto, pode ser algo engraçado ter a informação toda organizada e, 5 ou 6 anos depois, dar uma vista de olhos no que nos ia na mente, a música que ouvíamos, ou simplesmente o que se estava a passar 5 ou 6 anos antes. Mas será que isso é assim tão engraçado quando essa informação passa a estar acessível não só para nós, para os nossos amigos, mas também para as centenas de pessoas que temos adicionadas, como os conhecidos, ou mesmo os Outros (ver post)?
Vou dar um exemplo: Eu nos próximos cinco anos, vou actualizando o meu facebook com uma serie de coisas que não me importo de partilhar, inclusive comentários, estados de espírito ou que quer que seja, e daqui a 5 anos, uma pessoa que me é totalmente desconhecida neste momento passa a ser minha amiga. Será que essa pessoa tem o direito de saber da minha vida instantaneamente, mesmo sem ter feito parte dela? Esta situação pode tornar-se mais “perigosa” e incómoda no caso de futuras relações amorosas. O que queremos mostrar agora a determinadas pessoas, podemos não querer mostrar daqui a 5 anos a outras pessoas.
Claro que toda a gente que possui uma conta numa rede social, apenas coloca lá o que quer, e sabe, à partida, que essa informação tornar-se-á pública, mas com a introdução do timeline as coisas tornam-se mais difíceis de controlar.
Desta forma, e porque Lúcifer está sempre atento ao que se passa, propõe a criação de um novo serviço de policiamento dos perfis, em que a principal tarefa do polícia é controlar a nossa conta para assegurar que as nossas amizades futuras apenas tenham acesso ao que realmente queremos. Sem a criação deste serviço, só existem duas soluções: a) não adicionamos ninguém; b) perdemos horas a controlar o que queremos mostrar.
O Mark Zuckerberg pode ser genial, mas se calhar devia perceber que rede social ≠ vida real e que a aproximação entre ambas só vai fazer com que o pessoal comece a eliminar contas.

sábado, 17 de setembro de 2011

Vamos entrar pela madeira adentro

As notícias dos últimos dias, não foram nada animadoras. Mais um buraco encontrado nesse queijo suíço que são as contas públicas do nosso país. Parece algo Luciferiano, mas não! Encontrou-se um desvio colossal nas contas da Madeira.

Eis a notícia presente no Económico Online http://economico.sapo.pt/noticias/madeira-a-ilha-desonesta-em-destaque-na-imprensa_126826.html


Acho que basta! A gestão de Jardim tem sido penosa nos últimos anos, salpicada com denúncias de corrupção, é altura deste senhor ir dançar o bailinho da Madeira para outro lado. Atenção que não tenho nada contra os madeirenses, mas num tempo de dificuldades, o sacrifício deverá ser repartido por todos os portugueses. Vai haver ao que parece, uma investigação conduzida pelo PGR, mas que duvido que dê em alguma coisa. Claro que este escândalo teve eco na imprensa internacional e a Troika vai ainda ser mais exigente na fiscalização que daqui adiante fará às contas portuguesas. É que mais mil milhões de euros irão exigir mais uma medida extraordinária. Enfim, vamos entrar pela madeira adentro, mais uma vez...

Deixou a região autónoma igual ao país, de tanga. A questão é complicada pois haverá algum tumulto político. Vamos ver como o PSD, Vitor Gaspar e Passos Coelho irão lidar com o problema. Para já, estão na defensiva, mas alguma medida terá de ser tomada. E o Presidente da República deveria descer do seu altar e agir! Esta inoperância não é digna da mais alta figura da nação. É fácil ser líder quando não se dá o corpo às balas!

Deixo esta imagem, que reflecte o momento do país.


quarta-feira, 31 de agosto de 2011

O(a) Companheiro(a) aumenta o nosso rating?

O tema de hoje é baseado no último episódio de uma excelente série chamada “Curb Your Enthusiasm” que eu e o meu colega Pedro assistimos regularmente e que, pelo menos eu, recomendo vivamente!
O episódio que vos falo aborda vários temas, tais como um periscópio para carros, jogos de scrabble com dementes racistas, mas o tema que vos chamo a atenção é a avaliação de uma pessoa através do seu companheiro.
Como assim?
Quando falo em avaliação de uma pessoa através do seu companheiro, trata-se de ter uma perspectiva mais correcta (ou não) acerca dessa pessoa através da análise do seu companheiro, algo que pode ou não fazer algum sentido.
No episódio que vos falo é abordada a “avaliação” da personalidade de uma pessoa, em que se essa pessoa apresenta uma boa lábia ou é bem-parecida e tem um companheiro não tão bonito ou com uma postura menos positiva, quer dizer que essa pessoa é íntegra, com carácter, enquanto a mesma pessoa se apresentar um namorado(a) jeitoso(a) e bonito(a), ou se trata de uma pessoa superficial e que só liga às aparências, ou no mínimo não se consegue tirar nenhuma conclusão acerca do carácter dessa mesma pessoa. A ideia por trás desta avaliação é que se um rapaz ou rapariga que apresentam capacidade para conseguir uma rapariga ou rapaz melhor e optam por um sem postura ou feio é porque apresentam carácter e não olham apenas para o que é supérfluo, ou seja, na opinião de Larry David para a aparência (ainda que duvide que a aparência seja assim tão supérflua para o Larry).
Claro que no episódio de Curb Your Enthusiasm, Larry David exagera como sempre, mas será que a observação feita nesta série é assim tão descabida?
Larry aborda o tema da personalidade da pessoa, mas eu prefiro abordar o tema da aparência, que funciona de maneira inversa à personalidade. Será que um rapaz que se encontre acompanhado por uma rapariga muito atraente não subirá o seu próprio rating perante as outras raparigas? Será que o mesmo rapaz, acompanhado por uma rapariga bonita ou por uma rapariga feia é avaliado, pelas outras raparigas, da mesma forma?
A minha ideia é que se um rapaz feio consegue seduzir uma rapariga mais bonitinha uma vez, vai ser altamente valorizado pelas outras raparigas (no caso de tudo o que foi escrito atrás funcionar positivamente), já que vai ser valorizado por isso. Pelo contrário, um rapaz que seja íntegro (na opinião do próprio Larry), que não olhe apenas para a aparência e tenha uma companheira menos bonita, verá as suas possibilidades de um dia conseguir uma namorada mais bonitinha diminuírem (ainda que não se importe muito com isso).
Assim, o conselho que Lúcifer apresenta para estes casos é que se tiverem a sorte de arranjarem uma rapariga bonita, não tenham medo de a mostrar, já que isso vai fazer com que sejam valorizados e aumentem o vosso rating perante todo o público feminino.
É por estas e por outras que se vêem aí casais tão desproporcionais. :D
Vejam o vídeo abaixo.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Outros - Conhecidos-desconhecidos

Na nossa vida, há aqueles que são os nossos amigos, aqueles que são os nossos colegas e aqueles que são os Outros. Quanto aos dois primeiros grupos, acho que não preciso de fazer qualquer explicação. O último grupo, chamei de Outros porque não se englobam nem no grupo dos amigos, nem no grupo dos colegas, acabam por ser uns conhecidos-desconhecidos.
Os Outros são aquelas pessoas que passam por nós várias vezes, que frequentam os mesmos sítios que nós, ou simplesmente que são nossos colegas, mas que nunca trocámos uma única palavra com eles, nem sequer dizemos bom-dia ou boa-tarde quando nos cruzamos em qualquer sítio habitual.
A situação que quero chamar a atenção hoje é a alteração de comportamento que parece existir quando se encontra uma pessoa desse grupo num sítio diferente do habitual. Quando encontramos um desses Outros num sítio de férias ou numa saída à noite, há sempre a tendência de dizer, pelo menos, um “Olá! Tudo bem?”, ou um “por aqui também?”, como se houvesse alguma diferença entre encontrar essas pessoas no lugar habitual ou num lugar diferente.
Parece que as coordenadas afinal são um factor importante que determina o tipo de relações entre as outras pessoas.
Seria falta de educação não dizer nada quando encontramos alguém que vemos regularmente num sítio diferente? Talvez, mas qual é a diferença entre encontrar essa pessoa nesse sítio ou no seu lugar habitual? Nenhuma.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lulu

Lúcifer, a besta também gosta de música e aguarda impaciente a chegada às lojas dos próximos álbuns dos Red Hot Chili Peppers e dos Metallica.

"Lulu" é o nome do próximo disco dos Metallica, que sairá no final de Outubro e que nasce de uma colaboração da banda de S. Francisco com o carismático Lou Reed. Mas "Lulu" será nome digno de um CD, de uma banda que toca em nome de Lúcifer? "Lulu" seria um nome admissível para um álbum do Avô Cantigas ou das músicas da carochinha. Vejamos os títulos másculos dos anteriores álbuns dos Metallica, seguidos da panisguice do próximo:

Kill em all - Violento
Ride The Lightning - É de homem
Master of Puppets - Sonante
And Justice for All - Viril
Black Album - Másculo
Load - Potente
Reload - Repotente
St. Anger - Agressivo
Death Magnetic - Tétrico
Lulu - Panisguinhas ( como diria o grande Bruno Nogueira - tão panisguinhas)

Isto era como chamar a um CD do Noddy, "Killer" ou a um dos Teletubbies, "Tinky Winky Lord of Darkness".  

Deixo-vos com um videoclip de uma das bandas favoritas da besta, One de 1989:



segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Bota-abaixo aos políticos/empresas

Depois de ter deixado o blog entregue ao meu colega Pedro nos últimos tempos, finalmente voltei… Para já, a única novidade que tenho para vos contar desde o meu último post é que a minha tartaruga agora só come comida de gato (recusa-se a comer a habitual comida para tartarugas ou qualquer outro tipo de comida). Pode ser que daqui a uns meses tenha uma espécie de Evil Turtle com pêlos para me fazer companhia enquanto penso nos meus planos para controlar o mundo.
Hoje os Binóculos de Lúcifer traz-vos um tema mais que batido, em que basta qualquer um ligar um canal de notícias nacional, para encontrar o Sr. Dr. (alguns que de Sr. Dr. pouco têm) a dar a sua opinião, falo-vos da actual situação do nosso país, nomeadamente os tempos difíceis que vivemos.
Já todos sabemos que Portugal passa por momentos difíceis, que estamos a enfrentar fortes medidas de austeridade e que temos meio mundo com os olhos postos em nós, como por exemplo os especuladores, que vêem uma oportunidade de, em Portugal, ganhar mais uns trocos (que o diga o BCP).
A verdade é que esta situação não apareceu do nada, nós, como se costuma dizer, pusemo-nos a jeito… Os vários anos de más políticas, de gastos não condizentes com a situação do nosso país, as políticas para agradar, entre outros, fizeram com que a nossa situação atingisse este ponto.
Os tempos de hoje já não são os mesmos de há 20/30/40 anos atrás, as pessoas, os hábitos, a sociedade, tudo mudou. Se antes era (ou não) sustentável termos um conjunto de regalias que nos levaram a esta situação, será que essas regalias são sustentáveis agora? Deixo essas questões para os entendidos. Este post tem outro objectivo, analisar uma situação muito específica que se passa no meio de toda esta situação.
Uma coisa que me irrita particularmente é a recorrente crítica que os políticos, os gestores ou os economistas são alvo. Uma forma fácil de ver essa corrente que se assiste em Portugal e que se gerou à volta do sistema político e da economia portuguesa, é ler alguns comentários a notícias no facebook.
Se uma empresa ganha um prémio qualquer, não há ninguém que venha dar os parabéns, mas aparecem logo umas 10 ou 20 pessoas a dizer algo como “só sabem roubar”, “agora sobem os preços”, “ainda se queixam”… Se existe uma política do governo, os comentários são sempre “só mudaram as caras”, “mais 10000 tachos”, etc etc…
O que quero dizer com isto é que existe uma corrente de resistência aos políticos e às empresas, como se tudo o que fosse feito nesses domínios fosse mal feito. Mas esta corrente de haters, que apenas sabem criticar e não conseguem fazer nada mais que isso consegue ultrapassar a política e a economia. É como se a inveja tomasse conta de um grande número de portugueses e tudo o que não esteja em crise ou em dificuldades passasse a ser um alvo a abater. Este pensamento dos Portugueses, que é facilmente vislumbrado nas redes sociais nos comentários em qualquer jornal, apenas faz com que seja mais difícil ultrapassar esta situação em que nos encontramos, já que a resistência às medidas políticas ou a constante crítica às empresas/gestores ou ainda a recorrente vitimização, como se todos fossemos uns coitados nas mãos dos economistas, só faz com que seja quais forem as medidas, o sucesso será sempre posto em causa.

domingo, 31 de julho de 2011

Em Playback é que é bom!

Eu não sou do tempo de Carlos Paião, contudo não é preciso ser dessa altura para conhecer este grande êxito, Playback. Foi a música que Portugal levou ao Festival da Eurovisão em 1991. Com uma letra simples e engraçada, esta canção era uma sátira à música portuguesa, quando na altura apareceram os primeiros artistas que recorriam ao Playback. Infelizmente Paião viria a falecer, num brutal acidente de automóvel em 1988. Apesar de duro de ouvido, Lúcifer também reconhece o seu talento e considera uma pena para a música portuguesa, que um artista com tanta qualidade tenha partido tão novo. Ainda bem que há Youtube que nos dá a oportunidade de recordar o Carlos e outros artistas que partiram cedo demais, sempre que quisermos.


Lembrei-me deste sucesso de Carlos Paião, pois ao fazer Zapping depáro-me com a Ágata a fazer Playback, num programa da TVI. É algo muito comum em Portugal, quase todos os artistas o fazem, mas será que deviam? É correcto para as pessoas que estão a assistir? A culpa não sei de quem é, até pode ser que sejam limitações técnicas em alguns casos, a não permitir uma actuação na integra. Em alguns programas da nossa praça, onde há apenas um ou dois artistas a actuar por programa, seria bem mais bonito e verdadeiro recorrer a uma actuação sem recurso ao Playback. Eu compreendo que os artistas tenham que aparecer, para se promover, mas este tipo de promoção pode ser em alguns casos bastante enganosa e o espectador não poderá diferenciar os bons dos maus. Na minha opinião a culpa é nossa! Se fossemos mais exigentes, televisão e artistas tinham mais respeito para quem actuam. Quando Leonor Poeiras ( que está tão magra, que o seu pijama só tem uma risca) anunciou que Ágata iria cantar, deveria ter dito, Ágata vai dançar ao som da sua música e mexer a boca. Caímos no ridículo de pseudocelebridades lançarem discos e aparecerem na TV, a fazer Playback das canções artificiais que foram fabricadas num estúdio qualquer. Falo por exemplo de Castelo Branco e outros ex-concorrentes de reality-shows. 
Enfim, Graças a Deus ou a Lúcifer que existe Youtube, assim podemos relembrar os verdadeiros artistas.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Querem roubar o trabalho do Diabo?

Hoje trago-vos um assunto que tem assombrado todos os portugueses e os jovens em particular, o desemprego.
Ontem vi em vários “murais” no facebook, referência a um artigo escrito no jornal de negócios que se intitulava: “Saiba quais os cursos superiores com mais e menos emprego”. Ao mesmo tempo, via que várias pessoas se regozijavam, ora porque afinal o desemprego não está tão mal como os economistas (aqueles senhores feios e maus que só vêem dizer coisas tristes à televisão) dizem, ora porque no total de licenciados no seu curso, apenas 1 ou 2% estão desempregados.
Bem… depois de ver algumas reacções à notícia, e quase todas bastante positivas, pensei que afinal estava um bocado a leste do que se passava no nosso país. Afinal não há desemprego? Afinal não há cursos que não servem para nada? Afinal não há vagas a mais para alguns cursos? Afinal onde é que andei este tempo todo? Aparentemente Portugal é um óptimo país para os recém-licenciados.
Não me deixei levar por este optimismo e decidi ver pelos meus próprios olhos o que afinal se estava a passar em Portugal e com os licenciados portugueses.
Nem tive tempo de ler a introdução da notícia, dado que o meu grande entusiasmo e curiosidade me obrigaram a passar imediatamente para os números. “Ora… economia na FEP, como é que isso anda…4.3%. Não tá mau, mas…”. Depois olhei para as restantes instituições e reparei que existem 8 com uma taxa de desemprego abaixo dos 5% e que a percentagem de desemprego para a que tinha um pior desempenho não era assim tão alto. Além disso, reparei que se fosse estudar para a pacata zona alentejana ao invés da apaixonante vida nortenha, certamente tinha um futuro mais risonho à minha frente. Desta forma, a minha desconfiança parecia ter desaparecido, já que se apresentavam números bastante razoáveis à minha frente e aqueles que no facebook comemoravam a situação de desemprego do nosso país, aparentemente, tinham razão.
Será que havia um erro com o meu curso? Será que era só economia que não estava assim tão mal? Será que as grandes empresas estão no Alentejo? Decidi ver o resto dos números…
Depois de dar uma olhadela na generalidade dos cursos, percebi que economia até era um curso com um dos piores desempenhos em termos de empregabilidade, percebendo desde logo que o “estudo” era afinal demasiado optimista.
Decidi então procurar a fonte de informação para a redacção deste artigo.
Os dados tratados pelo Negócios foram retirados do estudo “A procura de emprego dos diplomados com habilitação superior – 2010” do Gabinete de Planeamento, Estratégia, Avaliação e Relações Internacionais (GPEARI). Neste estudo são publicados os números de diplomados por cursos (públicos e privados) nos anos 2006/07, 2007/08 e 2008/09.
Ah! Isto não é recente, é baseado num estudo lançado em 2010 com dados referentes aos anos anteriores, nomeadamente aos licenciados de 2006/2007 até 2008/2009, ou seja, pessoas que entraram na universidade no inicio deste século e que saíram numa altura em que o nosso país não estava nesta profunda crise.
Posteriormente, decidi dar uma vista de olhos no tal estudo que considera como desempregados apenas aqueles que estão “inscritos nos centros de emprego: Instituto do Emprego e Formação Profissional, I. P. (IEFP/MSST) que, através do Sistema de Gestão e Informação da Área de Emprego (SIGAE), regista as inscrições dos candidatos a emprego”, ou seja, uma pessoa que trabalhe numa área que nada tenha a ver com a sua formação, nada interfere no estudo e contribui para a elevada taxa de empregabilidade do curso. Eu tanto posso estar a trabalhar na Mckinsey como no Pingo Doce, que contribuo da mesma forma para o estudo.
Pior que todos estes factos, é a introdução do artigo, que apenas tive paciência para ler depois, que nos diz:
Até dia 17 de Agosto, milhares de estudantes vão decidir o seu futuro profissional, preenchendo a candidatura ao Ensino Superior. O leque de escolhas é alargado, estando disponíveis 54.068 vagas de licenciatura, distribuídas por um total de 1.181 cursos. Saiba quais os cursos com melhores condições de empregabilidade e aqueles que apresentam níveis mais elevados de desemprego.
Está aqui um trabalho dos Diabos, que nem o próprio Lúcifer conseguiria fazer com tanta qualidade. O artigo tem como objectivo aconselhar os jovens portugueses acerca do seu futuro, ou seja, os jovens portugueses devem ter em conta o que se passou há 4 anos atrás e não diferenciando o tipo de emprego, se é na área ou não. Além disso, escreveram a frase referindo-se ao presente, quando os dados dizem respeito ao passado, ainda por cima os dados que são…
Certamente que daqui a 5 anos ainda veremos crianças a optar por Informática na Portucalense ou Direito da Lusófona, ou mesmo centenas de alunos a continuarem a escolher Enfermagem, já que aparentemente parecem excelentes escolhas. Não sei se o Pingo Doce terá assim tantas vagas, mas se tiver, dêem graças a Lúcifer! (ou a quem anda a fazer o trabalho dele).
Não se enganem! A luta pelo emprego é tão grande que até o trabalho do Diabo querem roubar!